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ilha na rua dos burgaes

  • December 14, 2019 1:53 am

 

Desde meados do século XVIII que há registos de ilhas na cidade do Porto, mas foi no século XIX, época de forte industrialização, que a necessidade de mão-de-obra provocou um grande fluxo de pessoas para a cidade.

Para dar resposta à falta de habitação, as chamadas ilhas multiplicaram-se no interior dos lotes estreitos e compridos, nas traseiras de prédios existentes à face das ruas. São construções informais de casas de reduzida dimensão (16m2 a 25m2) feitas com poucos recursos, que se replicam ao longo dos lotes, deixando livres corredores estreitos de acesso à rua, através de uma única porta do prédio.

Este fenómeno urbano, apesar da degradação de algumas das ilhas, tem mantido o seu caráter identitário e a sua forte expressão na cidade – existirão ainda cerca de 1000 ilhas na cidade do Porto.

A grande pressão imobiliária provocada pela procura de alojamento turístico, tem provocado um novo entendimento do uso dos espaços da cidade; à semelhança de muitos edifícios devolutos e degradados, as ilhas, onde muitas vezes se vive em condições precárias, têm sido procuradas pelas suas caraterísticas muito próprias, quase pitorescas. Esta condição, aliada à falta de legislação que evite o afastamento de moradores permanentes do centro da cidade, normalmente os que têm menos recursos, tem tido como resultado um novo tipo de ocupação da cidade; falta agora encontrar um equilíbrio entre a necessária recuperação do património construído e a vida dos que permanecem e que fazem e são quotidianamente a cidade.

A Impare Arquitectura, enquanto escritório empenhado na reabilitação do património construído, aceitou o desafio de recuperar uma ilha localizada na Rua dos Burgães, que se encontrava bastante degradada, praticamente devoluta e sem condições condignas de habitabilidade. Apesar disso, tinha uma característica muito particular, senão única: o conjunto das casas partilhava um pátio de dimensões generosas, ao contrário do comum corredor estreito de acesso à rua.

A ilha é composta originalmente por 10 casas – nove delas de um piso, sobreelevado – das quais existe registo, pelo menos desde 1892, na planta de Telles Ferreira, onde se pode ver a sua localização, com entrada, na época, pelos fundos de um terreno de gaveto, com frente para a Rua de Serpa Pinto, próximo da Capela da Ramada Alta.

Atualmente, a entrada faz-se pela Rua dos Burgães, tendo sido construída, na década de 1940, uma nova casa, de dois pisos, na ligação com o terreno primitivo; esta ilha não tem, por isso, nenhuma casa principal que a medeie na sua relação com a rua.

No início dos trabalhos, ainda na fase de levantamento e diagnóstico, encontrámos a maioria das casas em muito mau estado de conservação; depois de avaliadas as diferentes possibilidades de intervenção, optou-se por propor a renovação integral dos seus interiores, mantendo os princípios de organização espacial inicial, com sala, apoio de cozinha e sanitário no piso térreo e uma zona de dormir em mezanino, qualificando aquilo que inicialmente eram zonas de dormir fechadas. Nas duas casas que têm duas frentes – para o pátio e para a rua – foi possível criar mais uma área de dormir no piso térreo, tendo sido possível também, apesar das suas reduzidas dimensões, que uma das casas viesse a dar resposta às contingências da sua utilização por pessoas com mobilidade condicionada.

Na casa de dois pisos, a única que, genericamente, se encontra em condições de ser totalmente reabilitada, irão ser realizadas obras que procurarão manter, para além da organização espacial fundamental, o maior número e tipo de elementos que a caracterizam: estrutura e escada de madeira, paredes divisórias de tabique e todos as restantes componentes de madeira – portas, portadas interiores, roda-pés, guarnições, corrimãos.

É proposta também uma intervenção no pátio, que será mantido e limpo de pequenas construções espúrias que surgiram com o tempo e que será pavimentado com uma argamassa pigmentada; pontualmente serão criadas pequenas caldeiras para vegetação rasteira e aérea, que poderá, no futuro, vir a cobrir o pátio, criando sombra com suporte numa estrutura pergulada que se prevê construir.

Foram também propostos elementos maciços em pedra (ou eventualmente em betão, por questões orçamentais), que servirão como bancos e que delimitarão zonas de estar de uso comum, individualmente relacionadas com cada uma das casas.

A obra iniciou-se com trabalhos de intervenção global, tendo-se optado, no entanto, por concluir, numa primeira fase, apenas uma das casas, para se poder avaliar e adaptar soluções nas restantes; uma espécie de projeto em aberto, metodologicamente disponível para outros contributos e sugestões.

No escritório, devido ao pigmento escolhido para o pavimento e à tonalidade com que se pintaram rebocos, alvenarias de pedra e caixilharias, chamámos-lhe – à falta de um nome original,  perdido com parte da sua história – Ilha Amarela.

 

Arquitectura | architect: Paulo Seco . Colaboração | colaboration: Filipe Lourenço .  Localização | location: Porto .  Projecto | project: 2018 . Construção | construction: 2019 . Coordenação de projeto | coordination: Cristiana Cabral . Construtor | general contractor: Resultados Geniais – Obras e Restauros, Lda . Responsável técnico em obra | technical manager: Teresa Lopes . Imagem | image: © ITS Ivo Tavares Studio

casa rua de diu

  • September 12, 2018 12:00 am

Arquitetura | architect: Paulo Seco ; Colaboração | colaboration: Filipe Lourenço ;   Localização | location: S. M. Infesta – Matosinhos. Projeto | project: 2017 ;  Construção | construction: 2018 | Imagem | image: © ITS Ivo Tavares Studio

Reabilitação de um edifício de habitação unifamiliar localizado no cruzamento de duas ruas de um bairro habitacional construído nos finais da década de 50 do século passado, à época, na periferia das cidades do Porto e de Matosinhos, hoje integrado na área metropolitana.

O projeto consistiu na renovação de todas as infraestruturas e revestimentos que, maioritariamente, se encontravam em mau estado de conservação e na reorganização dos compartimentos do piso térreo, com a ampliação da cozinha e da sala.

apartamento em antero de quental

  • February 4, 2018 11:09 pm

Arquitectura | architect: Paulo Seco ; colaboração | colaboration: Filipe Lourenço ; Cliente | Client: Margarida Santos e Ricardo Arez;  Localização | location: Porto . Projecto | project: 2017 ; Imagem | image: © ITS Ivo Tavares Studio

Projeto de remodelação integral e de transformação de um apartamento de tipologia T3, com 93m2, inserido num edifício construído nos finais da década de 50, num apartamento de dois quartos.

Intervenção com alterações significativas dos espaços existentes e de todos os revestimentos, com renovação integral de todas as infraestruturas de abastecimento de águas, de eletricidade e de drenagem de esgotos.

Criação de uma sala ampla com apoio de cozinha “aberta”, conseguida pela junção de um quarto, sala e cozinha existentes, de reduzidas dimensões.

 

projeto para 3 rotundas| lousã

  • February 12, 2015 1:08 am

002 lousa 2

3 rotundas | 3 roundabouts ; Projeto | project: Paulo Seco ;  colaboração | colaboration: Filipe Lourenço ; Imagem |image: © Impare Arquitectura ; 2012

 

 

As rotundas são provavelmente o mais comentado elemento urbano.

Mesmo as praças e as ruas, quando se trata de comentar uma qualquer intervenção urbanística, não são alvo de argumentos tão fervorosos.

Neste contexto, se um projeto urbano já acarreta por si, grandes responsabilidades, pela importância que tem na vida e no bem-estar das pessoas e na memória dos lugares, um projeto, não para uma rotunda, mas para um conjunto de rotundas, mais responsabilidades acarreta.

As rotundas são elementos urbanos desenhados para responder a uma melhor organização do tráfego automóvel que, na sua maioria – das cerca de 5000 – recebem esculturas ou elementos escultóricos carregados das mais insuspeitas simbologias, de homenagem a pessoas ou a acontecimentos relevantes para os habitantes locais, mas muitas vezes irreconhecíveis para os forasteiros.

Outras vezes, na tentativa de diferenciação, recorrem a arquétipos simples, por vezes banais, muitos vezes ingénuos, que garantem uma leitura, uma identificação fácil e rápida, mas quase sempre pobre ou mesmo vazia em conteúdo.

A propósito da paisagem urbana atual e das estradas-ruas que a compõem, Alvaro Domingues refere:

“Há quem simplesmente passe e há quem queira sair e entrar, estacionar ou atravessar a estrada. Rápida de mais para quem lá vive, lenta e congestionada para quem lá passa. Um desassossego que não se resolve com passadeiras, semáforos, multas, rotundas e outros truques de acalmia de tráfego.”

 

proposta

O conjunto, de três rotundas, é composto pela rotunda do Freixo, a primeira que se aborda, quando se chega à Lousã pela Estrada da Beira e pelas duas rotundas que fazem a ligação entre a Rua de Coimbra e a Variante.

Tratando-se de rotundas que se localizam no principal acesso à vila da Lousã, pretendeu-se que o seu caráter pudesse ser associado à recepção de quem chega, num gesto de acolhimento para quem visita a região, num sinal de boas vindas.

É assim proposta, na plataforma central das rotundas, a construção de muros em xisto, paralelos entre si, com espaçamentos diferentes, com cerca de 1,5m de altura, dando expressão à horizontalidade do conjunto.

Na primeira rotunda os muros terão a cor do xisto e o piso com vegetação (urze de flor branca, com floração em maio) misturada com gravilha de pedra branca, solução que transmite alguma neutralidade (preto e branco).

Os muros estarão orientados no sentido nascente/poente e terão um afastamento mínimo de 5m ao limite exterior da rotunda, distância que permite uma visibilidade perfeita para a circulação de veículos nas rotundas (que têm cerca de 42m de diâmetro).

As duas rotundas de ligação da Rua de Coimbra com a Variante, terão mesma solução de muros de xisto com a mesma orientação norte/sul, funcionando assim como uma espécie de bússola, orientadora.

Para reforçar o significado único da rotunda será desenhado uma anamorfose da palavra LOUSÃ sobre a superfície dos vários muros, nos quais os caracteres, deformadas e esticados, só serão reconhecíveis a partir de uma certa distância e num determinado local. Ou seja, só num exato momento da passagem pela rotunda, a palavra fará sentido.

bridge | ponte rio vouga

  • September 9, 2014 11:39 am

Ponte rio Vouga_paulo seco 2014

 

ponte rio vouga | bridge ;  proposta |  proposal  ; | projeto | project:  paulo seco ; Imagem |image: © impare arquitectura 2014 ; legenda | subtitle:  1529, 26 de Fevereiro | “vedor e recebedor da obra da pomte que ora mamdo fazer no rio Vouga e sull” | 2011, 12 Novembro | paulo seco 2014

 

A Acesso Cultura,  uma associação que promove o acesso físico, intelectual e social à cultura, realizou em Julho, no Centro Português de Fotografia, um debate com o tema Arquitectura: questões de limitação e libertação, onde foram abordadas questões relacionadas com a acessibilidade aos edifícios, procurando contribuir para o esclarecimento dos temas ligados à inclusão,

A pretexto deste debate, foi apresentado um projeto que pretendeu mostrar uma evidente barreira física na ligação entre dois pontos – a impossibilidade de travessia de um rio através de uma ponte que ruiu – e a sua solução, com uma intervenção que propõe a ligação das duas margens através de uma plataforma que une as duas partes, separadas, da ponte.

O projeto pretende levantar algumas questões, que se podem extrapolar para temas mais abrangentes, mais genéricos e por isso, mais abstratos, aludindo assim para a premência da discussão das questões relacionadas com a acessibilidade, de manifesta importância para uma melhoria das condições do acesso físico, social e intelectual.

No referido debate participaram ainda, com a moderação de Cândida Colaço Monteiro, a arquiteta Lia Ferreira, Provedora Municipal do Cidadão com Deficiência e a Dra. Maria João Vasconcelos, Diretora do Museu Nacional Soares dos Reis.

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Acesso Cultura, an organization that promotes the physical, intellectual and social access to culture, conducted in the Centro Português de Fotografia (Photography Portuguese Center), a discussion with the subject “Architecture: issues of limitation and liberation” helping to the clarification of issues related to inclusion.

In this atmosphere, was presented a project that showed an obvious physical barrier on the link between two points – the impossibility of crossing a river through a collapsed bridge – and its solution: the connection of the two sides of river through a platform to link the two separated parts of the bridge.

The project intends to raise some questions, which can be extrapolated to broader topics, more generic and therefore more abstract, thus alluding to the urgency of the discussion of the issues of accessibility, important for improving the conditions of the physical, social and intellectual access.

This event, moderated by Candida Colaço Monteiro, was also attended by Lia Ferreira, architect/municipal provider citizens with disabilities, and Maria João Vasconcelos, director of the Museu Nacional de Soares dos Reis (National Museum)

pecol

  • February 2, 2011 8:30 am

NOMEAÇÃO PARA A PRIMEIRA EDIÇÃO DO “PRÉMIO PORTAL ARQUITECTOS  2010” NA CATEGORIA “OUTROS EDIFÍCIOS” http://apps.facebook.com/premioarq/

Edificio Sede Pecol S.A |  headquarters building Pecol S.A . Localização | location: Águeda . Arquitectura | architect: Paulo Seco . Colaboradores | colaboration: Lissette Gonçalves . Projecto | project: 2008 . Imagem | image: © Impare Arquitectura

casa ramalho

  • September 16, 2010 8:35 pm

Habitação Unifamiliar | house. Localização | location: Arouca . Arquitectura | architect: Paulo Seco . Colaboradores | colaboration: Vitor Moutinho. Projecto | project: 2007 . Imagem | image: © Impare Arquitectura