LOUSÃ. TRÊS ROTUNDAS
As rotundas são, provavelmente, os elementos urbanos mais debatidos. Ao contrário das praças ou das ruas, raramente suscitam discussões tão acesas em intervenções urbanísticas. Sendo um projeto urbano uma responsabilidade significativa, pela sua influência na vida das pessoas e na memória dos lugares, maior é a responsabilidade quando se trata não de uma, mas de várias rotundas.
Criadas para organizar o tráfego, muitas das cerca de 5.000 rotundas existentes acolhem esculturas simbólicas, por vezes enigmáticas para quem não é local. Outras recorrem a formas simples e facilmente identificáveis, mas frequentemente desprovidas de conteúdo significante.
Como refere Álvaro Domingues, a paisagem urbana contemporânea vive entre o excesso de velocidade para quem nela habita e a lentidão para quem por ela passa — uma tensão que não se resolve apenas com passadeiras, semáforos ou rotundas.
O conjunto de três rotundas na entrada principal da Lousã, pela Estrada da Beira e pela ligação entre a Rua de Coimbra e a Variante, assume-se como gesto de acolhimento e boas-vindas a quem chega. Propõe-se, nas plataformas centrais, a construção de muros paralelos em xisto, com cerca de 1,5 metros de altura e espaçamentos variados, reforçando a horizontalidade do conjunto.
Na primeira rotunda, os muros manterão a cor natural do xisto, com piso em gravilha branca e urze de flor branca (floração em maio), numa composição neutra de preto e branco. Nas duas rotundas seguintes, os muros manterão a orientação norte-sul, funcionando como referência espacial.
Para reforçar o carácter identitário, será desenhada uma anamorfose da palavra “LOUSÔ ao longo dos muros, que apenas será legível a partir de um ponto específico, na passagem pela rotunda.
- Arquitetura: Paulo Seco
- Colaboração: Filipe Lourenço
- Localização: Lousã
- Projeto: 2012
- Construção:
- Imagem: Impare Arquitectura











